terça-feira, 23 de outubro de 2012

IV Conferência Municipal de Cultura foi realizada com sucesso

Membros do Fórum e do Conselho com autoridades e Célio Turino ao centro
Na última segunda-feira, das 10h às 17h, no CEC Brasital, o Conselho Municipal de Cultura realizou a IV Conferência Municipal de Cultura em parceria com o Fórum Permanente de Cultura e com a Divisão de Cultura da Prefeitura de São Roque.
O evento contou com ótima participação do público, entre professores e alunos dos cursos oferecidos no CEC Brasital, artistas, produtores e cidadãos. Além do Chefe de Divisão de Cultura, Rodrigo Boccato, a Conferência teve a participação de diversas autoridades, como da Diretora do Departamento de Educação, Márcia Nunes, do futuro Prefeito de São Roque, Daniel de Oliveira, e do Vereador Rodrigo Nunes.
Na parte da manhã, o palestrante Célio Turino apresentou de forma didática e empolgante como é simples mudar a realidade local trabalhando com a transversalidade da Cultura, propiciando a autonomia e o protagonismo dos grupos e pessoas que fazem cultura na cidade. Célio sugeriu criarmos uma Rede Municipal de Pontos de Cultura e também pediu pessoalmente ao futuro Prefeito que pense com muito cuidado em quem será o responsável por cuidar da pasta na cidade.
O Prefeito eleito para a próxima gestão se pronunciou afirmando que seu papel vai ser o de “facilitador”, visando contribuir diretamente para que as demandas dos artistas e produtores locais sejam atendidas. Daniel também ressaltou que o aumento da verba para a Cultura, a partir do próximo ano, foi um trabalho que ele desenvolveu junto com seus vereadores aliados na Câmara.
No período da tarde, os participantes debateram propostas segundo os eixos propostos pelo Plano Nacional de Cultura. A reunião foi organizada e muito produtiva, todos os presentes contribuíram de forma significativa trazendo propostas coerentes e validando as demandas enviadas pelo Fórum e pelo Conselho Municipal de Cultura.
Para ver as propostas debatidas e aprovadas na IV Conferência Municipal de Cultura, acesse o Blog do Conselho: http://conselhomunicipaldeculturasr.blogspot.com. O material será enviado aos atuais governantes e ao futuro Prefeito. No entanto, é importante frisar que para colocar as propostas em prática, os principais responsáveis somos todos nós: cidadãos, artistas, produtores e empresários, que militam pela causa.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MANIFESTO EM DEFESA DA CIVILIZAÇÃO

O Manifesto abaixo foi publicado em nome de diversos economistas da Unicamp,
na verdade, humanistas de corpo e alma. Vale a pena ler!
 

Vivemos hoje um período de profunda regressão social nos países ditos desenvolvidos. A crise atual apenas explicita a regressão e a torna mais dramática. Os exemplos multiplicam-se. Em Madri uma jovem de 33 anos, outrora funcionária dos Correios, vasculha o lixo colocado do lado de fora de um supermercado. Também em Girona, na Espanha, diante do mesmo problema a Prefeitura mandou colocar cadeados nas latas de lixo. O objetivo alegado é preservar a saúde das pessoas.

Em Atenas, na movimentada Praça Syntagma situada em frente ao Parlamento, Dimitris Christoulas, químico aposentado de 77 anos, atira contra a própria cabeça numa manhã de quarta-feira. Na nota de suicídio ele afirma ser essa a única solução digna possível frente a um Governo que aniquilou todas as chances de uma sobrevivência civilizada. Depois de anos de precários trabalhos temporários o italiano Angelo di Carlo, de 54 anos, ateou fogo a si próprio dentro de um carro estacionado em frente à sede de um órgão público de Bologna.

Em toda zona do euro cresce a prática medieval de anonimamente abandonar bebês dentro de caixas nas portas de hospitais e igrejas. A Inglaterra do Lord Beveridge, um dos inspiradores do Welfare State, vem cortando recorrentemente alguns serviços especializados para idosos e doentes terminais. Cortes substantivos no valor das aposentadorias e pensões constituem uma realidade cada vez mais presente para muitos integrantes da chamada comunidade europeia. Por toda a Europa, museus, teatros, bibliotecas e universidades públicas sofrem cortes sistemáticos em seus orçamentos. Em muitas empresas e órgãos públicos é cada vez mais comum a prática de trabalhar sem receber. Ainda oficialmente empregado é possível, ao menos, manter a esperança de um dia ter seus vencimentos efetivamente pagos. Em pior situação está o desempregado. Grande parte deles são jovens altamente qualificados.

A massa crescente de excluídos não é um fenômeno apenas europeu. O mesmo acontece nos EUA. Ali, mais do que em outros países, a taxa de desemprego tomada isoladamente não sintetiza mais a real situação do mercado de trabalho. A grande maioria daqueles que hoje estão empregados ocupam postos de trabalhos precários e em tempo parcial concentrados no setor de serviços. Grande parte dos postos mais qualificados e de melhor remuneração da indústria de transformação foram destruídos pela concorrência chinesa.

Nesse cenário, a classe média vai sendo espremida, a mobilidade social é para baixo e o mercado de trabalho vai ficando cada vez mais polarizado no país das oportunidades. No extremo superior, pouquíssimos executivos bem remunerados que têm sua renda diretamente atrelada ao mercado financeiro. No extremo inferior, uma massa de serviçais pessoais mal pagos sem nenhuma segurança, que vivem uma realidade não muito diferente dos mais de 100 milhões que recebem algum tipo de assistência direta do Estado. O Welfare State, ao invés de se espalhar pelo planeta, encampando as tradicionais hordas de excluídos, encolhe, aumentando a quantidade de deserdados.

Muitos dirão que essa situação será revertida com a suposta volta do crescimento econômico e a retomada do investimento na indústria de transformação nestes países. Não é verdade. É preciso aceitar rapidamente o seguinte fato: no capitalismo, o inevitável avanço do progresso tecnológico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produção industrial é acompanhado pela constante redução da necessidade de trabalhadores diretos. Uma vez excluídos, reincorporam-se – aqueles que o conseguem – como serviçais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza disponível. Por isso mesmo, a crescente desigualdade de renda é funcional para explicar a dinâmica desse mercado de trabalho polarizado.

Diante desse quadro, uma pergunta torna-se inevitável: estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?

A angústia torna-se ainda maior quando constatamos que as possibilidades de conforto material para a grande maioria da população deste planeta são reais. É preciso agradecer ao capitalismo, e ao seu desatinado desenvolvimento, pela exuberância de riqueza gerada. Ele proporcionou ao homem o domínio da natureza e uma espantosa capacidade de produzir em larga escala os bens essenciais para as satisfações das necessidades humanas imediatas. Diante dessa riqueza, é difícil encontrar razões para explicar a escassez de comida, de transporte, de saúde, de moradia, de segurança contra a velhice, etc. Numa expressão, escassez de bem estar!

Um bem estar que marcou os conhecidos “anos dourados” do capitalismo. A dolorosa experiência de duas grandes guerras e da depressão pós 1929, nos ensinou que deveríamos limitar e controlar as livres forças do mercado. Os grilhões colocados pela sociedade na economia explicam quase 30 anos de pleno emprego, aumento de salários e lucros e, principalmente, a consolidação e a expansão do chamado Estado de Bem Estar Social. Os direitos garantidos pelo Estado não deveriam ser apenas individuais, mas também coletivos. Vale dizer: sociais. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que o direito à saúde, à previdência, à habitação, à assistência, à educação e ao trabalho eram universalizados, milhares de empregos públicos de médicos, enfermeiras, professores e tantos outros eram criados.

O Welfare State não pode ser interpretado como uma mera reforma do capitalismo, mas sim como uma grande transformação econômica, social e política. Ele é, nesse sentido, revolucionário. Não foi um presente de governos ou empresas, mas a consequência de potentes lutas sociais que conseguiram negociar a repartição da riqueza. Isso fica sintetizado na emergência de um Estado que institucionalizou a ética da solidariedade. O individuo cedeu lugar ao cidadão portador de direitos. No entanto, as gerações que cresceram sob o manto generoso da proteção social e do pleno emprego acabaram por naturalizar tais conquistas. As novas e prósperas classes médias esqueceram que seus pais e avós lutaram e morreram por isso. Um esquecimento que custa e custará muito caro às gerações atuais e futuras. Caminhamos para um Estado de Mal Estar Social!

Essa regressão social começou quando começamos a libertar a economia dos limites impostos pela sociedade, já no início dos anos 70. Sob o ideário liberal dos mercados, em nome da eficiência e da competição, a ética da solidariedade foi substituída pela ética da concorrência ou do desempenho. É o seu desempenho individual no mercado que define sua posição na sociedade: vencedor ou perdedor. Ainda que a grande maioria das pessoas seja perdedora e não concorra em condições de igualdade, não existem outras classificações possíveis. Não por acaso o principal slogan do movimento Occupy Wall Street é “somos os 99%”. Não por acaso, grande parte da população espanhola está indignada.

Mesmo em um país como o Brasil, a despeito dos importantes avanços econômicos e sociais recentes, a outrora chamada “dívida social” ainda é enorme e se expressa na precariedade que assola todos os níveis da vida nacional. Não se pode ignorar que esses caminhos tomados nos países centrais terão impactos sob essa jovem democracia que busca, ainda, universalizar os direitos de cidadania estabelecidos nos meados do século passado nas nações desenvolvidas.

Como então acreditar que precisamos escolher entre o caos e austeridade fiscal dos Estados, se essa austeridade é o próprio caos? Como aceitar que grande parte da carga tributária seja diretamente direcionada para as mãos do 1% detentor de carteiras de títulos financeiros? Por que a posse de tais papéis que representam direitos à apropriação da renda e da riqueza gerada pela totalidade da sociedade ganham preeminência diante das necessidades da vida dos cidadãos? Por que os homens do século XXI submetem aos ditames do ganho financeiro estéril o direito ao conforto, à educação e à cultura?

As respostas para tais questões não serão encontradas nos meios de comunicação de massa. Os espaços de informação e de formação da consciência política e coletiva foram ocupados por aparatos comprometidos com a força dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades. É mais importante perguntar o que o sujeito comeu no café da manhã do que promover reflexões sobre os rumos da humanidade.

A civilização precisa ser defendida! As promessas da modernidade ainda não foram entregues. A autonomia do indivíduo significa a liberdade de se auto-realizar. Algo impensável para o homem que precisa preocupar-se cotidianamente com sua sobrevivência física e material. Isso implica numa selvageria que deveria ficar restrita, por exemplo, a uma alcateia de lobos ferozes. Ao longo dos últimos de 200 anos de história do capitalismo, o homem controlou a natureza e criou um nível de riqueza capaz de garantir a sobrevivência e o bem estar de toda a população do planeta. Isso não pode ficar restrito para uma ínfima parte. Mesmo porque, o bem estar de um só é possível quando os demais à sua volta encontram-se na mesma situação. Caso contrário, a reação é inevitável, violenta e incontrolável. A liberdade só é possível com igualdade e respeito ao outro. É preciso colocar novamente em movimento as engrenagens da civilização.

Assinaturas
DAVI DONIZETI DA SILVA CARVALHO
EDUARDO FAGNANI
CAMILA LINHARES TEIXEIRA
CLAUDIO LEOPOLDO SALM
MILTON LAHUERTA
EDSON CORREA NUNES
MIRIAM DOMINGUES
WILMA PERES COSTA
NEIRI BRUNO CHIACHIO
NATÁLIA MINHOTO GENOVEZ
PEDRO GILBERTO ALVES DE LIMA
SAMIRA KAUCHAKJE
FABIO DOMINGUES WALTENBERG
ALICIA UGÁ
JULIANO SANDER MUSSE
AMÉLIA COHN
LIGIA BAHIA
MAGDA BARROS BIAVASCHI
FABRÍCIO AUGUSTO DE OLIVEIRA
ANTONIO CARLOS ROCHA
RODRIGO PEREYRA DE SOUSA COELHO
GABRIEL QUELHAS DE ALMEIDA
MARIENE GONÇALVES TUNG
AMILTON MORETTO
ANA AURELIANO SALM
MARCIO SOTELO FELIPPE
FREDERICO MAZZUCCHELLI
CELIO HIRATUKA
EDUARDO BARROS MARIUTTI
ANGELA MOULIN SIMÓES PENALVA SANTOS
ANGELA MARIA CARVALHO BORGES
JOÃO MIRANDA SILVA FAGNANI
RODOLFO AURELIANO SALM
EVA LUCIA SALM
ÉDER LUIZ MARTINS
FERNANDA MAZZONI DE OLIVEIRA
MICHELLE MAUREN DOVIGO CARVALHO
FELIPE LARA CIOFFI
ALOISIO SERGIO ROCHA BARROSO
RONEY MENDES VIEIRA
NAIRO JOSÉ BORGES LOPES
MARIA FERNANDA CARDOSO DE MELO
WILSON CANO
NEREIDE SAVIANI -
FREDERICO LOPES NETO
MARIA DE FÁTIMA BARBOSA ABDALLA
BRANCA JUREMA PONCE
LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO
ALAN GUSMÃO SILVA
JOSE ANTONIO MORONI
VANESSA CRISTINA DOS SANTOS
JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI
EDSON DONIZETTI XAVIÉR DE MIRANDA
MARIA EDUARDA PAULA BRITO DE PINA
MARIA DE FATIMA FELIX ROSAR
CÁSSIA HACK
DERMEVAL SAVIANI
ROBSON SANTOS DIAS
RODRIGO TAVORA GADELHA
JORGE LUIZ ALVES NATAL
LUCIANO VIANNA MUNIZ
ALUIZIO FRANCO MOREIRA
MARISE VIANNA MUNIZ
JURACI COLPANI
ALESSANDRO CESAR ORTUSO
GENILDO SIQUEIRA
CARLOS EDUARDO DE FARIAS
CARLOS ALONSO BARBOSA DE OLIVEIRA
JOSE DAMIRO DE MORAES
FERNANDO MOREIRA MORATO
CELSO JOÃO FERRETTI
SILVIA ESCOREL DE MORAES
DANIEL ARIAS VAZQUEZ
EVERTON DAB DA SILVA
JOÃO GABRIEL BARRETO SILVA ROCHA
CELSO EUGÊNIO BRETA FONTES
SARAH ESCOREL
VINICIUS GASPAR GARCIA
DENIS MARACCI GIMENEZ
DENISE DO CARMO SILVA PEREIRA
JEFFERSON CARRIELLO DO CARMO -
VAGNER SILVA DE OLIVEIRA
GABRIEL PRIOLLI
JÉSSICA MARCON DALCOL
MARINA VENÂNCIO GRANDOLPHO
PEDRO HENRIQUE DE MELLO LULA MOTA
DANIEL SANTIAGO MOREIRA
VANESSA MORAES LUGLI
SANDRA MARIA DA SILVA LIMA
CARLOS RAFAEL LONGO DE SOUZA
MARIA SILVIA POSSAS
LUCIANA RAMIREZ DA CRUZ
CAROLINA PIGNATARI MENEGHEL
PEDRO DOS SANTOS PORTUGAL JÚNIOR
JOSÉ AUGUSTO GASPAR RUAS
WELLINGTON CASTRO DOS SANTOS
ALESSANDRO FERES DURANTE
DANIEL HERRERA PINTO
PEDRO HENRIQUE VERGES
DAVI JOSÉ NARDY ANTUNES
CARLA CRISTIANE LOPES CORTE
CARLOS ALBERTO DRUMMOND MOREIRA
DANIEL DE MATTOS HÖFLING
MARCELO WEISHUPT. PRONI
ENIO PASSIANI
JOSÉ DARI KREIN
ANSELMO LUIS DOS SANTOS
FABIO EDUARDO IADEROZZA
HIGOR FABRÍCIO DE OLIVEIRA
DANER HORNICH
HELDER DE MELO MORAES
JOSE EDUARDO DE SALLES ROSELINO JUNIOR
JULIANA PINTO DE MOURA CAJUEIRO
FERNANDO CATALANI
FERNANDA PIM NASCIMENTO SERRALHA
LEANDRO PEREIRA MORAIS
MARCELO PRADO FERRARI MANZANO
OLIVIA MARIA BULLIO MATTOS
RENATO BROLEZZI
LUCAS JANNONI SOARES
MÁRCIO SAMPAIO DE CASTRO
MARIA PINON PEREIRA DIAS
LUIZ MORAES DE NIEMEYER NETO
RODRIGO COELHO SABBATINI
LÍCIO DA COSTA RAIMUNDO
FERES LOURENÇO KHOURY

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

IV Conferência Municipal de Cultura será na próxima segunda-feira


Dia 22 de Outubro de 2012, no CEC Brasital, será mais uma oportunidade dos cidadãos, artistas, produtores, empresários e gestores da cidade dialogarem para criar a Política Pública de Cultura de São Roque.

A IV Conferência Municipal de Cultura será realizada pelo Conselho Municipal de Cultura em parceria com o Fórum Permanente de Cultura e a Divisão de Cultura da Prefeitura de São Roque.

Na parte da manhã, às 10hs, haverá a abertura do evento com a palestra de Célio Turino, um dos idealizadores do “Programa Cultura Viva” – política do Ministério da Cultura que marca uma mudança de paradigma na elaboração de políticas públicas para a Cultura no Brasil.

No período da tarde, às 14hs, haverá as discussões de propostas em cinco mesas distintas, divididas conforme os eixos do Plano Nacional de Cultura. Para orientar os participantes, o Conselho Municipal de Cultura disponibilizou um material consultivo que pode ser acessado no blog do Conselho: http://conselhomunicipaldeculturasr.blogspot.com

É extremamente importante a sua presença e militância para mudar a dinâmica da Cultura local. Compareça!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cangaceros vence festival “Mês do Rock”

A banda Cangaceros, de São Roque/SP, venceu o “Festival 20 Minutos: Especial Mês do Rock” e foi contemplada com uma apresentação exclusiva no Centro Cultural da Juventude, no projeto “Sexta Sonora”. Na ocasião, a banda abriu o show do rockeiro Marcelo Nova e foi apresentada ao público pelo músico Thunderbird como a vencedora do evento.
 
O show da banda será nesta sexta-feira, às 20hs, com entrada gratuita. Os ingressos poderão ser retirados no local, uma hora antes da apresentação. Para obter mais informações e conhecer melhor o som dos Cangaceros, acesse: www.cangaceros.com.br.




Serviço:
Centro Cultural da Juventude
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha. Zona Norte.
(ao lado do terminal Cachoeirinha)

Telefone: (11) 3984-2466
E-mail: comunicacao.ccj@gmail.com


domingo, 23 de setembro de 2012

Eu atuo no crime organizado!



Gostaria de fazer uma denúncia a todos. Eu, Mário Sérgio Barroso, 30 anos, 1,74m de altura, olhos castanhos, branco (cor de pele e humano de raça), RG: 43.928.016-3, atuo no crime organizado. Mas, antes de você sair correndo ligar para a polícia, faço um alerta: cuidado, somos comparsas!


Minha carreira no crime começou cedo, de forma passiva. Uma criança ingênua, nascida na década de 80, que logo caiu nas garras do governo, da mídia e das grandes corporações. Enquanto eu pedia e brincava com brinquedos industrializados, como um mero videogame – objeto de desejo da maioria das crianças de classe média da época, vítimas de uma intensa massificação de publicidade que lapidou esse produto na mente da minha geração - milhares de pessoas eram escravizadas no processo de produção dessa maravilha, seja na China, em Twain, ou em qualquer galpão anônimo de subemprego da América, por exemplo. Inclusive meus pais eram escravizados pelo crime organizado para poderem me presentear com tais brinquedos, tirando muito mais que o dízimo dos seus salários para tanto, afinal, esses produtos carregam taxas que esfolam qualquer trabalhador, mutilando sua renda de forma abusiva e covarde.


Assim, cresci, cometendo o crime sucessivo de fazer parte e acreditar nesse sistema. Adquiri bens e desejos que não eram meus, formei aquilo que eu chamo de consciência. Quando completei o processo de independência em relação a minha família, o processo de formação curricular, comecei a tatear de forma mais clara como se deu o processo de dependência que eu fazia parte, o qual já fazia parte de mim.


Durante todos esses anos recolhi, incansavelmente, provas contra esse sistema. Contra você e eu. Não é fácil se reconhecer, mas é necessário. Hoje, tenho a plena certeza de que um jovem que compra três gramas de cocaína para fazer a sua noite mais feliz é tão comparsa do crime organizado quanto uma senhora que compra dois quilos de carne no supermercado para fazer a mistura do almoço de domingo. Tanto o produtor da droga quanto o produtor da carne são criminosos e os consumidores de ambas as substâncias são viciados e cúmplices.


Descobri que grande parte do dinheiro do narcotráfico, por exemplo, não está nos morros, mas nos bancos. Instituições que ainda lavam dinheiro sujo do tráfico internacional de armas, órgãos e pessoas, entre outros delitos. Se você tem conta em algum banco, como eu, você é cúmplice desses crimes. Cúmplice de instituições que atuam nas mais diversas esferas e ditam, junto aos chefes de estado, a mídia e as grandes corporações, o resultado da equação do desequilíbrio social. Cada criança analfabeta, cada jovem drogado, cada cabeça de gado que vira bife no açougue ou supermercado, é friamente resfriada e calculada, assim como, sua oferta, seu acesso.


Veja quanta incoerência e hipocrisia da nossa parte: não admitimos que um assassino trabalhe dentro da nossa casa, seja para pintar uma parede, mas admitimos que um grupo deles nos governe, cuide do nosso dinheiro e ainda façam uma jogatina particular com os juros do rendimento do mesmo e pintem o sete à vontade ao redor do mundo.


“Nossa, que radicalismo sem noção” - exclama a senhora na fila da carne, que acabou de escutar as afirmações acima. Com dó e sem piedade eu reafirmo: sim, senhora! No entanto, com um pouco de noção!


Pois foi dessa forma que seguimos como civilização, evoluindo, até aqui. Criticamos a corrupção política, mas financiamos e participamos ativamente do processo eleitoral, acreditando pelos mais diversos motivos que alguém pode entrar no jogo e mudar algo. Enquanto votamos, alimentamos a corrupção política, seja por convicção ou pela falta dela. Não contribuímos em nada com a chamada Democracia, até porque não nos permitem e continuamos caminhando com medo da ditadura que nos fez parar para sofrer e pensar. No fundo, sofremos muito mais do que pensamos. Ainda escolheram um caminho que não foi o melhor, fazendo a gente acreditar que nós o escolhemos, entoando o coro de que era a única saída.


E nessa, as dicotomias foram criadas, implantadas em nosso cérebro numa programação mais poderosa do que a neurolinguística, sem saída. A reflexão persiste, como tabu: ditadura ou democracia, capitalismo ou socialismo, esquerda ou direita. Situações, que embora pareçam antagônicas, são irmãs de sangue, corpo e alma.


Quando o nosso foco deveria ser mais amplo, não apenas restrito a dinheiro e poder, crime e castigo. A algo que transcende o limite entre as ciências sociais, a filosofia, a psicologia, a religião. Aquilo que nos torna humanos, ou seja, a soma disso tudo e mais um pouco que ainda desconhecemos, como as influências genéticas e cósmicas.


“Esse cara é louco”, agora afirma a senhora. Reafirmo novamente: sim, senhora. Um louco como outros tantos, que sobrevive em uma sociedade hospício e vê loucura em tudo que você acha normal e normalidade em tudo que você acha loucura.


Se você ler esse texto num jornal ou na internet (seja até mesmo no meu blog), não pense inocentemente que esses veículos estão isentos, até porque a liberdade de expressão não nos mata e nem nos fortalece, apenas dissimula.


A verdade é que enquanto eu estiver vivo continuarei cometendo crimes, afinal, já estou enraizado no crime organizado e vice-versa. Quando compro qualquer produto ou consumo qualquer bem. Quando presto qualquer serviço ou exerço qualquer atividade profissional.



Por mais que você não aceite, somos cúmplices, criminosos e comparsas! A não ser que você produza seu alimento, suas roupas, seus utensílios domésticos, seus bens de consumo. O que não é o caso, pois se fosse, não teria como você ter, sequer, acesso ou interesse por esse texto.


Tenho a ousadia de afirmar que não há nada que escape das garras do crime organizado, até mesmo os índios mais isolados que ainda vivem no interior do Brasil. O crime organizado dominou o mundo, moldou o ser humano e determina a relação de promiscuidade do segundo com o primeiro.


Em meio a esse tsunami de argumentos e descrença, ainda há uma saída. Mas, segundo uma teoria que a insônia e a insanidade me fizeram produzir: 80% das pessoas desejam encontrá-la, só que as 20% que detém o poder (ou estão ligadas a ele, direta e indiretamente) desejam escondê-la. Por enquanto, eu continuo sendo um criminoso, buscando uma forma de me tornar inocente, até agora, sem sucesso.


Eu me confessei, denunciei a minha participação no crime organizado neste depoimento de três laudas e incluí você como meu parceiro e cúmplice. Agora, defenda-se se achar necessário ou prenda-me, se for capaz!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Secretaria de Estado da Cultura abre editais para diversos segmentos


A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo está com uma série de editais abertos para subvencionar projetos culturais de diversos segmentos através do Proac (Programa de Ação Cultural).


Os editais funcionam como concursos, com período de inscrição, regras e parâmetros específicos. Para cada edital, uma comissão de avaliação analisa e escolhe os projetos vencedores, que então recebem um valor – também pré-determinado no edital – que deve ser utilizado exclusivamente na realização do projeto.

Este ano, a publicação dos editais começou em abril, e os temas contemplados no primeiro semestre são: teatro, dança, festivais de arte, artes cênicas para crianças, circo, literatura, inclusão cultural, artes visuais, cinema e audiovisual, patrimônio cultural e museus. Em julho foram publicados os editais de música.




Se você realiza um Projeto Cultural mas não possui o conhecimento e a experiência necessária para elaborar a sua inscrição, entre em contato para obter informações: (11)9898.2101 ou mario81_sr@hotmail.com

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O vício rentista do grande empresariado

por Emir Sader
(publicado na Agência de Notícias Carta Maior - www.cartamaior.com.br)

O governo criou as melhores condições possíveis, no marco atual de pressões recessivas internacionais, para que aumentem os investimentos – diminuição significativa da taxa de juros, desvalorização do real, retirada de impostos -, mas a reação do grande empresariado é quase nenhuma. Antes criticavam o governo quando a taxa de juros era mantida, quando o dólar estava muito desvalorizado. Quando o governo atende a essas reivindicações, as entidades empresariais simplesmente se calam e se somam ao coro aziago da diminuição do crescimento economico.

É um grande empresariado acostumado ao modelo anterior, baseado na exportação, no consumo de luxo e na especulação. Acostumado com a super-exploracao do trabalho, com modelos econômicos voltados para atender as necessidades de um terço da população.

O modelo neoliberal promoveu a hegemonia do capital financeiro, sob sua forma especulativa. Não a que financia a produção, o consumo, a pesquisa, mas a que vive da compra e venda de papeis, a que não cria nem bens, nem empregos.

Quando desregulamentou a economia, ao invés de ser retomado um ciclo expansivo da produção, houve uma brutal transferência, em escala mundial, de capitais do setor produtivo para o especulativo. Porque o capital nao está feito para produzir, mas para acumular. A desregulamentação deixou o capital livre para buscar os maiores lucros possíveis. Encontrou na especulação financeira, onde ganha mais, com menos impostos e liquidez total, o destino privilegiado dos seus investimentos.

Não existem os empresários produtivos e os especulativos. Todo grande grupo economico tem um ramo especulativo que, atualmente, via de regra, é o que gera mais lucros.

Quem garante o financiamento aos programas sociais do governo são os bancos públicos. Quem injeta dinheiro na economia, de diferentes maneiras, é o governo.

Temos uma burguesia rentista, que vive da especulação, que resiste à reconversão do modelo de hegemonia do capital financeiro a um modelo produtivo. O governo tem que agir cada vez mais na direção do condicionamento dos créditos, das isenções, de toda forma de favorecimento do capital privado, com contrapartidas estritas em termos de produção e de geração de empregos, com um peso cada vez maior do Estado, para não depender do ânimo e do espiríto especulativo de grandes setores do empresariado privado.